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agalma

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

na praia, num destes dias de calor, ao fim da tarde

e ele disse: continuei contigo porque não te queria desiludir.

Ela que tinha acabado de chegar à toalha para secar o corpo – depois de um banho tão retemperador que lhe deve ter parecido o paraíso - olhou para ele e abriu os olhos, como se não o conhecesse.

E a testa passou a ter legendas. Terá pifado? Alguma doença neurológica que não se reconhece à primeira?

Mas não. Ele falou com um ar absolutamente limpo, de quem analisou.

A segurança e o cinismo dele provocaram-lhe uma paralisação de emoções. Não chorou nem amuou. Incrivelmente viu-se a reagir àquela realidade como se estivesse de fora. Como se a situação não lhe doesse.

Perguntou-lhe: em quantas missões humanitárias já participaste?

e quantas refeições não comeste para as oferecer a alguém com fome?

o que é que tens feito pelos outros para te considerares tão generoso?

Dizes que ficaste comigo para que não sofresse. Então e hoje? Esgotaste a compaixão?

Não, não te convenças de tão ilustre imagem. És burro.

Arrumou as roupas na mochila e foi-se embora.

 

Era só namoro, pensei eu. Ainda não têm bens e dívidas em comum.

Vai criar uma crosta que, com o tempo, vai cair. Mas a memória da ferida vai fazer-lhe companhia, nem que seja para relativizar outras, porventura maiores, que aconteçam.

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