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agalma

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

Tempos modernos – a realização e o sustento (III/IV)

 

E como enfrentar esta filosofia de vida quase global, que tem entrado aos poucos, de mansinho, sobretudo na chamada sociedade ocidental, em que quase todos têm direito a algum subsídio, seja de desemprego, incapacidade, doença ou formação? Toda a gente pensa que vai perder alguma coisa e ficamos quietos. Entretanto a indignação vai passando, compensada aqui e ali por uma qualquer migalha, as grandes reconstruções sociais, com especial enfoque na educação, saúde, trabalho e sustentabilidade ambiental vão sendo atamancadas, sem soluções de fundo.

Mas o Fernando acredita. Acredita e espalha. Em seminários, debates, sempre que pode e na nossa revista, claro. Já se começa a notar uma consciência colectiva dual, por um lado o conformismo - o certo é melhor do que o que não se sabe - e, por outro, o desânimo e a hipocrisia do poder - seja económico, financeiro ou político - como um clima que a todos afecta. E o Fernando acha que este acordar tem a ver com o detalhe e a decomposição com que - ele e outros – comentam as notícias oficiais.

É muito lenta esta alfabetização mas é consistente, diz ele. Talvez, digo eu.

Hoje estou que não me entendo. Quero fazer esta reportagem com rigor e alegria mas a Paula ligou e diz que já chega de vida nómada. Gostou do artigo, diz que vai ser publicado assim, tal e qual, porque quer que avance para outra realidade. Seja.

Expliquei a situação ao chefe do acampamento, compreendeu e disse-me que até lhe andava a fazer confusão como é que eles podiam ser motivo de preocupação andando o mundo como anda. Agradeci-lhe e despedi-me de todos com emoção, foram tão disponíveis, tão gentis. Foi uma vivência que vai deixar rasto, tenho a certeza, alguns levaram-me à estação e esperaram pelo meu adeus do comboio. Atitutes, foi nisto que vim a pensar na viagem e, por fim, a chegada a Lisboa.

Passei pelo supermercado e comprei mais do que o habitual porque me apetece imenso cozinhar, adoro comer os meus pitéus (que às vezes não chegam a ir ao lume), sabe-me tão bem. Liguei aos meus pais e já ficou combinado que vou lá jantar (também adoro as comidinhas da minha mãe), depois de arrumar as compras e de fazer uma ou duas máquinas de roupa. Sinto-me sempre protegida quando chego a casa dos meus pais, o cheirinho da casa e da comida, os móveis no mesmo lugar, os objectos por aqui e por ali que conheço há tanto tempo e, acima de tudo, a confiança que sinto em tudo o que digo ou faço. Falámos da família, do país e da revista. Ficaram um pouco preocupados com estas reviravoltas mas, pensaram comigo, se o projecto se mantém - foi o que me disse a Paula, quando marcou uma reunião para terça feira – então há trabalho.

 

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