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agalma

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

um homem e uma mulher jovens

entraram no eléctrico e sentaram-se lado a lado no banco, de frente para o meu lugar. Não há muito para fazer numa viagem lenta, olho para eles e para a paisagem - que já conheço bem – e fixo-me na mulher que me parece triste, decpecionada, com a mala junto ao peito a olhar para as mãos. Não levanta os olhos das mãos. Começei logo a pensar que deve ter alguém de família doente, preocupações com o emprego ou com a falta dele, achei que aquele desânimo era sentido e fiquei incomodada, apetecia-me dizer-lhe qualquer coisa. Entretanto dei por ele a olhá-la de soslaio, e ela nada, e ele olhava, desviava o olhar e olhava outra vez. Passou a demorar-se neste jogo, disse-lhe um segredo e riu-se. Ela olhou para ele e riu-se também. Numa cumplicidade maior que o eléctrico deram as mãos e não paravam de rir. Fiquei parva, porque não os tinha visto como casal, mas também me senti mais confortada, não só por pensar que a haver um problema não era nada que não se pudesse resolver como, também, por confirmar que o amor – seja de que forma for - é o nosso grande nivelador. Entretanto saí, a sorrir.

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