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agalma

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

respeito

De braço dado,

mãe e filha descem a rua

numa cumplicidade contagiante, embora discreta.

É inspirador sentir o amor pleno.

A autenticidade que dispensa a cerimónia e que ignora a hipocrisia ou condenação,

aceita reparos e, também, as inevitáveis mágoas inerentes aos amores.

ela

descia até ao rio determinada,

porém durava pouco o entusiasmo.

Sentava-se e seguia um pau ou outro objecto,

e quando desaparecia concentrava-se noutro.

Ao fim de algum tempo, subia a encosta desanimada.

A água era quase transparente, a paisagem quase bela.

Bruno Vieira Amaral, as primeiras coisas

Ainda estou no ambiente do Bairro Amélia, subúrbios habitados pela pobreza e marginalidade e por gente que ali esgota o corpo e a alma. Esfarrapados, magros, obesos, violentos ou ingénuos, ninguém passa da cepa torta, cumprindo a sobrevivência e os sonhos que todos temos.

A pobreza é lixada, parece-me um paralíptico a querer correr, não consegue sair do sitio. Apesar das intervenções da Câmara a transformar lameiros em piscinas e apesar das intervenções da Assistência Social. O ambiente é atamancado e perpétuo.

Bem escrito e necessário.

Nem de propósito, nestes dias, decorreu a audição do nosso muito rico e apadrinhado senhor comendador na Comissão Parlamentar e custa a crer. Que falta de vergonha.

Volto a pensar que o Estado deveria, em casos de corrupção e roubo, ficar com todos os bens e, talvez, a título de ensaio, pôr esta gente a viver num dos vários Bairros Amélias que por aí existam.

André Barata, E se parássemos de sobreviver?

Uma reflexão inteligente e humanista sobre os tempos que vivemos. Sem alarmismos mas sentindo a urgência de sabermos que os nossos comportamentos já deveriam ter mudado ontem.

É preciso parar para pensar. Hoje e sem fundamentalismos. Não é possível, nem necessário, voltarmos à caverna, até, porque têm sido valiosos os benefícios que a tecnologia nos tem dado para resolver tantas tarefas que anteriormente escravizavam quem as fazia. Também já não é possível ignorar as provas da agressão que tem sido feita ao mundo natural, na terra, no ar e no mar os recursos escasseiam e estão adulterados. Mas, sobretudo, não podemos continuar a aceitar tantas imposições de mercado que nos criem ainda mais necessidades. Estou a lembrar-me do turismo massificado e dos gastos ambientais que provoca comparando, na maioria das vezes, com a banalidade da experiência.

Há um desajuste entre a realidade e a sua representação não só entre garotos, quando se fala nos vídeos com armas e a sua significação real, mas também entre nós, adultos, o que se torna grave pela indiferença, e consequente demora, na mudança de atitudes como resposta.

Reflecte ainda, e bem, na atitude política porque a vida é política, como sabemos, e o RBI é uma solução quase a curto prazo, dado o desemprego a que já se assiste.

Por tudo isto precisamos, mesmo, de parar de funcionar para podermos pensar.

Milan Kundera, Os Testamentos Traídos

Estive muito tempo sem ler este escritor, e até me estranhei quando, assim de repente, quase sem pensar, entrei na livraria e comprei dois livros dele. A festa da insignificância e Os testamentos traídos. O primeiro li-o como me lembrava de ler Milan Kundera, sem surpresa. Fala de quatro amigos já com caminho andado e louva as pequenas situações e emoções do dia a dia como o tesouro dourado a alcançar, festejando a insignificância de tudo, sem se importarem verdadeiramente com coisa nenhuma, apesar da ironia habitual quando fala da vida contemporânea – na alusão ao desfile de umbigos - e às feridas antigas da guerra. Para mim é pouco. Preciso de sentir valores sem ironia, como a indignação e a gratidão.

Talvez por isso gostei de ler o segundo livro. Uma reflexão minuciosa sobre, essencialmente duas artes, criar música e escrever romances, mas também sobre a lealdade. De quem recebe e divulga as obras e o mau uso que tantas vezes ocorre.

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