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agalma

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

André Barata, E se parássemos de sobreviver?

Uma reflexão inteligente e humanista sobre os tempos que vivemos. Sem alarmismos mas sentindo a urgência de sabermos que os nossos comportamentos já deveriam ter mudado ontem.

É preciso parar para pensar. Hoje e sem fundamentalismos. Não é possível, nem necessário, voltarmos à caverna, até, porque têm sido valiosos os benefícios que a tecnologia nos tem dado para resolver tantas tarefas que anteriormente escravizavam quem as fazia. Também já não é possível ignorar as provas da agressão que tem sido feita ao mundo natural, na terra, no ar e no mar os recursos escasseiam e estão adulterados. Mas, sobretudo, não podemos continuar a aceitar tantas imposições de mercado que nos criem ainda mais necessidades. Estou a lembrar-me do turismo massificado e dos gastos ambientais que provoca comparando, na maioria das vezes, com a banalidade da experiência.

Há um desajuste entre a realidade e a sua representação não só entre garotos, quando se fala nos vídeos com armas e a sua significação real, mas também entre nós, adultos, o que se torna grave pela indiferença, e consequente demora, na mudança de atitudes como resposta.

Reflecte ainda, e bem, na atitude política porque a vida é política, como sabemos, e o RBI é uma solução quase a curto prazo, dado o desemprego a que já se assiste.

Por tudo isto precisamos, mesmo, de parar de funcionar para podermos pensar.

Milan Kundera, Os Testamentos Traídos

Estive muito tempo sem ler este escritor, e até me estranhei quando, assim de repente, quase sem pensar, entrei na livraria e comprei dois livros dele. A festa da insignificância e Os testamentos traídos. O primeiro li-o como me lembrava de ler Milan Kundera, sem surpresa. Fala de quatro amigos já com caminho andado e louva as pequenas situações e emoções do dia a dia como o tesouro dourado a alcançar, festejando a insignificância de tudo, sem se importarem verdadeiramente com coisa nenhuma, apesar da ironia habitual quando fala da vida contemporânea – na alusão ao desfile de umbigos - e às feridas antigas da guerra. Para mim é pouco. Preciso de sentir valores sem ironia, como a indignação e a gratidão.

Talvez por isso gostei de ler o segundo livro. Uma reflexão minuciosa sobre, essencialmente duas artes, criar música e escrever romances, mas também sobre a lealdade. De quem recebe e divulga as obras e o mau uso que tantas vezes ocorre.

os obesos da arrogância

são, por norma, secos de carnes. Magros infernizados. Em ambiente familiar ou entre amigos não falam do que fazem nem dos projectos que pensam vir a fazer porque duvidam, imenso, da competência de quem os ouve. Anseiam, porém, por companhias que pensam estar ao seu nível, mas é difícil, porque sentem-se seres de raríssima competência. Pouco ou nada ecléticos dizem, com orgulho, essa não é a minha área de formação. Quando oiço isto fico sempre a pensar como se terão sentido ao longo do tempo em que ainda não tinham solidificado tamanha convicção.

Em contraponto, sinto um enorme respeito por pessoas que tendo conhecimento, o partilham e explicam em linguagem acessível a não especialistas, despertando e aclarando curiosidades. Bem hajam.

numa tarde quase de Verão

conversam amenamente duas amigas, sobre o que de mais importante se pode falar naquelas idades, filhos e maridos. Dizia uma que ele já lhe tinha apresentado a nova namorada mas que, a pretexto de combinarem os assuntos dos filhos, lhe telefona três a quatro vezes por dia. Nisto toca o telemóvel e depois de ter olhado ela confirmou, por falar nele, mas não vou atender. Ele que, na partilha das coisas da casa, até levou a almofada da cama. Que mulher admite que ele traga a almofada da antiga cama? Realmente.

Depois, e ainda quente de tanta indignação, saltou para as notícias de vigarice que tem assombrado o passado radioso e inteligente dos senhores importantes do nosso país. Era tirar-lhes tudo e pô-los com o ordenado mínimo enquanto vivessem.

Gostei.

Não me meti na conversa porque, para além de já ter idade para ser mãe delas, o foco passaria a ser a minha intrusão e, assim, tivemos todas uma tarde bonita.

José Saramago, Todos os Nomes

Nunca é só o fim de uma história que interessa saber. Por vezes, nem o princípio. É a maneira como é contada que nos vai revelando também as emoções e valores de quem conta. E Saramago era um Mestre. A ironia inteligente é o maior encanto.

O enredo não é empolgante à partida, fala da vida do Senhor José, empregado discreto e subalterno na Conservatória Geral do Registo Civil, arquivo de todos os nomes de vivos e mortos, mas o deleite é espesso e demorado, daí que só lendo.  

a violência

Os silêncios encorpados são tão ou mais perigosos do que as palavras mais tresloucadas. A agressividade dita ou exercida ocupa o espaço do respeito, que devemos a nós próprios e aos outros. As evidências, pelos vistos, não são assim tão óbvias para todos, o que explica o aumento da violência doméstica que, mesmo que diminua, continuará a ser triste e incompreensível.

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