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agalma

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

Tudo Menos Clássica pelo Maestro Martim Sousa Tavares, RTP 2

Tudo Acima e Nunca Aquém de Excepcional 

O mundo anda como sabemos, o que é de uma grande tristeza para a minha geração que cresceu num patamar de esperança muito bem colocado, e quando vejo e oiço este programa é como brincar ao sol depois de vários dias de chuva. É um prazer.

É um prazer porque sei que não se chega àquele nível de cultura e de especialização, na sua idade, sem muito empenho e sem foco. E pensar nisso comove-me. Bem sei que existem muitos outros jovens noutras áreas a distinguirem-se, igualmente, pela qualidade e com isso também me aqueço quando penso no futuro. No entanto cheguei às teclas para falar do Maestro Martim Sousa Tavares e como gosto de sentir a sua autenticidade e segurança, nem humildade nem arrogância, só a partilha do que já sabe e do que reflecte sobre o que sabe. É bom ouvir, de quem está por dentro, falar sobre a falta de abertura e o elitismo desde sempre ligado à música clássica e à parca difusão de que sofre.

Educação e cultura indispensáveis para elaborar critérios.

seguremos o espanto

 

de ainda haver tantas mulheres a quem não agrada a verdadeira igualdade. Bebem e mastigam nesses becos onde são analisadas e filtradas as acções de outras mulheres que, com critérios desiguais, vão caminhando com responsabilidade e liberdade.  Numa sociedade construída por homens sempre defendidos e justificados pelos próprios, foram ganhando voz e presença os que não esqueceram as vidas das mães e se preocuparam com o futuro de filhas e netas.  Não condenemos as mulheres só porque sim e nem os homens. Deixemos a decência, como bom julgador, tomar conta do que vamos fazendo, sendo certo que não poderemos retroceder, como se vê noutras paragens.

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Pintura a óleo, Rui Couto

 

Quero ver os teus passos

sempre firmes, na minha direcção,

um sorriso,

e, aqui chegados, o abraço enrolado.

nascida em agosto

é engraçado, sem dúvida, porque agosto não é um mês qualquer. É o mês das ânsias.

Leva-se o ano inteiro a adiar o descanso de dormir até sei lá a que horas, o prazer de estar com estes ou aqueles, de ler com continuidade o tal livro de muitas páginas, de ir para a praia ou campo com o tal pôr do sol e muitos outros desejos que só em agosto serão concretizados. Eis agosto, com muito calor ou vento, com alguém constipado, na melhor das hipóteses porque qualquer problema grave ocorre quando calha, nestes tempos acrescenta-se a quarentena do vírus, ou avarias que também não costumam fazer marcação e agosto passa a ser o mês da decepção. Tanto que se merecia e tanto que se evaporou.

Sei bastante de decepções em agosto porque é o que me contam quando, finalmente, se lembram de me dar os parabéns. Também acontece receber fora do dia, é o mais comum, sabem que tem a ver com calor e com as férias e, no fim de contas, o que interessa mesmo é lembrarem-se.

Recuando à minha escola primária é com um sorriso que escrevo que gosto muito do mês de agosto.

de modo que

cada vez gosto mais de bolos. Ando mesmo caída por fotografias de bolos cremosos, especialmente de chocolate. E, por vezes, até isso me parece indecente, dado o colapso absurdo de sofrimento e destruição a que assistimos, mas temos de inventar encantos. Mas nem tudo são bolos.

Adorei o filme de Michel Franco, As filhas de Abril, tão humanamente cruel. A manipulação limite, ou seja, quando existe consciência do caminho que é preciso ir fazendo para se chegar ao controle do outro, sempre com muito encantamento e as melhores intenções, é de arrepiar. As reacções de concordância e de imobilidade que, por norma, vão ocorrendo são, por vezes, perturbadas por desvios arrojados que paralisam o guião. Pensamentos relâmpago, pequenos detalhes e eis outra história.

Wolfgang Becker - Adeus, Lenine! 2003

Só hoje vi este belíssimo filme que passou na RTP2. A vida tem disto, quando pensamos que não perdemos grandes coisas, aparece-nos, sem sequer termos pedido, uma bela fatia de pão de rala e uma chávena de chá quentinho numa esplanada calma, à beira-mar. Ou outro mimo inesperado e bom.

A realidade é, tantas vezes, difícil de acompanhar, valem-nos os ideais e os sonhos e, sobretudo, o amor.  Neste filme nada é esquecido, até a música. Situando-se antes da queda do muro de Berlim, a mãe sofre um ataque cardíaco - quando se dirige para uma reunião e vê o filho a ser preso numa manifestação contra o regime - e entra em coma durante oito meses, tempo em que a vida tanto muda no seu país. O esforço e empenho do filho é mais do que comovente, é um hino de amor, tentando poupá-la da ocidentalização da sua Alemanha. Com a ajuda de um amigo, gravam em cassetes noticiários num registo que já não existe e muda compotas para frascos cada vez mais difíceis de encontrar, tudo para manter na mãe o empenho e o desejo de intervir numa sociedade mais justa. Só mais tarde saberá que a par da militância, existiam também muitas dúvidas sobre a sociedade amplamente igualitária.

Entrar nas fantasias de quem amamos e dar-lhes consistência é tão gratificante que comparo com o que fazemos às nossas crianças, corremos, cantamos e fingimos que bebemos chá nas chaveninhas de plástico.

A delicadeza e a gentileza, motores maiores da humanidade.

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