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agalma

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

através do teu sono

através do teu sono.jpg

 pintura a óleo, Rui Couto

 

 

e do amor que me transborda,

minha menina querida,

entro nos teus sonhos

e saboreio, contigo, o sucesso do espectáculo em que és a cantora pop

e vamos ao baile das princesas em que és a mais bonita e risonha – a escolhida pelo príncipe.

Por enquanto – ainda não tiveste tempo de criar critérios para assumir a tua verdade - estes sucessos são de grande alegria.

Mas também quero viajar, sempre contigo, nos sonhos que virão

e que te irão tornar na promessa que já és

minha doce menina.

a razão do poeta

a razão do poeta.jpg

pintura a óleo, Rui Couto

 

 

é soprar o pó que envolve a beleza e falar dessa descoberta.

Denunciando a vulgaridade, a hipocrisia, o sofrimento e a fome

em nome da paz 

palavras guardadas

IMG_0048.JPG

pintura a óleo, Rui Couto

 

 

que sei de cor, aprendidas em pequena, e que vivem em mim em gestos e atitudes.

Sou guardiã de cautelas, porque as histórias de equilíbrios foram as que sempre me pareceram mais desafiantes.

Como andar em cima da corda esticada, quando brincávamos no recreio.

o amor é o fio de prumo

 

o amor é o fio de prumo.jpg

pintura a óleo, Rui Couto

 

 

e não pode, nunca, deixar de o ser. Devemos estar a viver um longo intervalo.

Ninguém pode ficar indiferente ao ouvir as notícias no país e no mundo, há uma espécie de epidemia de desgraças e de desconsolo.

E as guerras? E os povos sem eira nem beira andando em fila à espera de quem os ajude? Quem as fomenta e lucra com isso? São os países que os acolhem? É brutal toda esta hipocrisia.

Numa época em que é possível reconstituir o dia de qualquer um, com os registos dos pagamentos por multibanco, portagens e telemóveis, estes assuntos graves não são aclarados, porque o dinheiro tomou conta de tudo, é uma religião fanática.

E o trabalho? Não pode continuar a ser desmerecido, é um direito e um dever de qualquer ser humano ser útil socialmente e ser pago por isso. Um bordado de Viana do Castelo, os tapetes de Arraiolos e tantos outros emblemas da nossa cultura não podem ser comparados com outros semelhantes, executados à pressa, em máquinas. O parecido não é igual. Isto não é ser competitivo, é nivelar por baixo.

Pois eu - e creio que muitos de nós - não me conformo.

Não podemos assumir que a normalidade agora – conceito moderno – é assim. E ouvir falar de casos bem sucedidos - como se mostrassem um campo pulverizado com insecticidas onde sobreviveu um caracol - com tanta competição, leva-nos a viver numa sociedade doente, implacável, esquecendo a generosidade e a dignidade.

Quem é que pode dizer-se feliz se, à sua volta, houver tanta precaridade com falta de esperança e alegria?

O amor – nas várias vertentes construtivas - tem de continuar a ser o nosso fio de prumo.

Acabou o intervalo. Passemos ao Acto.

 

de crisálida a borboleta

de crisálida a borboleta.JPG

pintura a óleo, Rui Couto

 

 

e que linda e perfeita a metamorfose. Tornaste-te na mais bela das borboletas.

Foi muito sacudida a saída do casulo e a procura do equilíbrio com essas asas grandes e coloridas, mas valeu a pena.

Danças a voar

e ficámos nós, eu e o pai, a olhar para tanto movimento com medo dos obstáculos, mas não, já voas em piloto automático. E em manual.

Ainda assim, vamos manter sempre os fios de seda entrelaçados nos dedos. Fizémos anéis.

parem o carrossel

a maquineta enlouqueceu e o dono, que devia tomar conta disto, foi ali e já vem.

Estava aqui a lembrar-me que, em termos gerais, ainda não há muito tempo, havia verdades sociais sagradas, e que, quer fosse para as integrar, quer fosse para as ignorar, eram referências.

Hoje quando ouvimos elogios (raros), injúrias, burlas, compadrios, honras e outras observações de comportamento ou caracter e formamos opinião, somos inundados de pormenores, na maior parte das vezes pequenos, que nos perturbam sem serem esclarecedores.

Que mal tem ouvir a história de um senhor solteiro, erudito, bem falante, com casa ali para a praça da figueira, que todos os dias se apresentava às oito horas no banco para trabalhar e que nunca fez mal a ninguém?

É necessário ouvir que era homossexual, porque olhava e ajudava mais os rapazes? Ou que teve uma relação e um filho com a empregada a quem não deixou nada em testamento?

E este é um dos exemplos mais comuns e inofensivos.

Penso que isto tem a ver com esta nova sensação - facebook e afins - de que todos somos, mais ou menos, figuras públicas. Só que os artistas quanto mais polémicos eram, mais caras as suas obras ou aparições, mas nós não. Nós andamos de borla.

Temos que ser mais generosos, porque afinal de que é que se vive se não se viver de amor?

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