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agalma

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

talvez a emoção que menos estimule o poeta seja a alegria, tão breve e rara de sentir

menina sai da janela

 

f.jpg

pintura a óleo, Rui Couto

 

 

aceita o meu convite e vamos passear a pé ou de bicicleta. Vamos falar.

Andas confundida com a leviandade com que se fala de generosidade e de condescendência, como se fosse o mesmo gesto.

Eu sei.

Também não compreendo o orgulho com que se pormenoriza a prática da caridade

nem as listas de espera para se ser voluntário em tantas áreas – é o que me dizem.

Em vez do devido fica a obrigação de agradecer, para sempre. Porque as soluções de fundo estão aguadas.

Anda, vamos andar de bicicleta, sentir o ar na cara e no cabelo e rir de qualquer coisa a que vamos achar graça ao mesmo tempo.

auto-retrato

auto-retrato.jpg

pintura a óleo, Rui Couto

 

 

numa fúria de vontade e fantasias

vão surgindo traços e cores

e dessa inquietação, enfim, desaguada

reconheço-me, em espelho

como resposta 

é preciso não esquecer

c.jpg

pintura a óleo, Rui Couto

 

 

o valor do amor, da liberdade e da justiça, apagadores de guerras, desemprego e pobreza.

Há muito para fazer na nossa sociedade aparentemente satisfeita, e muito mais noutros continentes, tanto que não compreendo o desemprego, senão como estratégia.

A ciência tem evoluído bastante – a nível militar e da saúde – mas na aplicação para um bem estar generalizado precisa da companhia da arte, a garra do sonho.

Lendo as reflexões dos clássicos é assombroso, em 2016, vivermos tão mal a nível mundial. Não aprendemos com os erros, a ganância não tem fundo? Que estranho. Há que restabelecer uma agricultura mais saudável e que não agrida o ambiente desta maneira, não é preciso haver tantos lucros, tanto dinheiro na mão de tão poucos.

Vamos dar as mãos, de olhos abertos.

o eterno desejo da precisão

IMG_0054.JPG

pintura a óleo, Rui Couto

 

 

medir a distância das ondas e a profundidade do mar

medir o tempo, a velocidade do vento e a lonjura do sol.

Saber quanto pesa o amor quando me olhas

e calcular o grau de felicidade em que vives.

Saber que a ampulheta nunca pára

e não saber quantas curvas tem o caminho.

Saber que a curiosidade e a esperança são mais fortes do que a precisão.

a casa da avozinha

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está mesmo, mesmo, juntinha a uma floresta onde vive um lobo mau. Como a avó está doente, a Capuchinho Vermelho, sua neta, alegre e boa menina vai levar-lhe, esta manhã, uma cestinha com o almoço ainda quentinho. Ainda não sabe, mas o lobo mau vai lá estar, vestido de avozinha, e como tem muita fome e uma boca grande vai querer comê-la.

Esta história tem muito que se lhe diga. Dependemos muito da generosidade uns dos outros, já sabemos. Aqui a menina leva o almoço feito pela sua mãe – filha ou nora da avozinha - supondo que foi comprado com o dinheiro que o pai ganhou a trabalhar fora de casa.

A debilidade dos velhos afastados para casas vizinhas da floresta – imagem de mil perigos, entre os quais a existência de animais esfomeados - põe a cru a solidão e o seu único remédio, a boa disposição e a atenção de quem se ama. O remédio que mais conta.

Muita coisa mudou, a indústria farmacêutica, felizmente, tem tido imensos lucros mas também resultados. A avozinha dos dias de hoje, ficará de cama em casos muito graves, repartida a estadia com os hospitais, ou então - eu prefiro esta hipótese - porque partiu uma perna numa manifestação a favor de uma reorganização mais humanitária da sociedade. Mas está bem disposta, já falou hoje com a neta pelo telemóvel e sabe que ela passará por lá, com os pais, a caminho da escola e que não será necessário levar comida quentinha porque a avó tem micro-ondas e comida no frigorífico suficiente.

Embora com outros meios mais confortáveis, a avozinha continua a ser a avozinha.

E a netinha será sempre o recomeço.

E, além de inevitável, é lindo.

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